INTERAÇÃO

CRISE - Um fenômeno recorrente

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Por Heli Gonçalves Moreira

sócio-diretor da HGM Consultores

Maio/2014

 

É melhor prevenir do que remediar, já diziam nossos avós com base na experiência que lhes eram características. Entretanto, no mundo corporativo, uma crise pode advir de tantas origens e causas fora do controle das empresas que, muitas vezes, não há como atender a este sábio ensinamento. Aí, não resta outra opção senão enfrentá-la com competência.

Crise é um fenômeno absolutamente democrático – surge na vida de qualquer empresa. Um exemplo atual, que se vê na mídia – e no mercado – é a situação que passa o setor automotivo, com as vendas em baixa e as exportações em queda.

Reputações são conquistadas ou perdidas numa crise, dependendo da forma de como ela é enfrentada.

Em uma empresa, há valiosos ativos, como a sua imagem e a sua força de trabalho e, uma crise, certamente irá colocá-los em risco. Por isso, é preciso encará-la de frente.

Toda crise tem um dono e, às vezes, somente ele sabe o seu tamanho e porque ela surgiu. E mais, que ele, como principal responsável por ela, não deve expandir dificuldades, mas sim controlá-la.

A crise tem um custo, tangível e intangível, que deverá ser pago. A tentativa de regatear poderá aumentar o prejuízo, atual ou futuro.

O líder responsável precisa saber exatamente para onde vai quando a crise estiver resolvida. Ele precisa representar a imagem da tranquilidade na solução e no encaminhamento de ações corretivas, ágeis, consistentes e coerentes.

A análise de suas dimensões, abrangência, profundidade e extensão são fundamentais para se calibrar as ações corretivas. Exagerar ou subestimar os efeitos de uma crise pode ser tão ou mais danoso quanto à própria crise. Quando pessoas são atingidas por uma crise, ampliar seus efeitos poderá anular investimentos, sejam sociais ou econômicos, difíceis de serem recuperados. Reduzi-los, podem requerer novas ações, com efeitos mais desastrosos.

A forma como conduzir a aplicação das soluções, assume importância igualmente relevante no processo, especialmente quando parte das soluções de uma crise impacta diretamente na estabilidade e na segurança das pessoas. Neste caso, a dignidade e o respeito são fatores prevalecentes a serem observados.

Critérios justos, informações precisas e confiáveis, comunicação direta aberta e transparente, respeito às reações, agilidade nos processos de desligamento, são fatores essenciais e formas inequívocas de demonstração de dignidade e respeito para com as pessoas envolvidas.

Na prática, a solução para uma crise passa necessariamente pela capacitação e comprometimento das lideranças no processo.

A preocupação não se esgota com aqueles que deixarão de pertencer à empresa, mas inclui também os colaboradores que ficam, pois estarão observando, durante todo o tempo, as atitudes da empresa e o comportamento das lideranças, imaginando a sobrecarga de trabalho resultante da redução do efetivo e sobre como serão tratados em situação semelhante, se e quando isso ocorrer.

Além de garantir a boa reputação e preservar seus ativos, a gestão de uma crise é sempre uma excelente oportunidade de aprendizado e crescimento. Depende apenas da forma como ela é encarada.


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