INTERAÇÃO

Copa do Mundo vai exigir jogo de cintura até das empresas

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Por Heli Gonçalves Moreira

sócio-diretor da HGM Consultores

Março/2014

 

Feriados inesperados, trabalho em turno e produtividade precisam fazer parte do Plano de Contingências para 2014. E os benefícios devem ser exaltados!

                              

Dando continuidade ao nosso especial sobre os grandes eventos de 2014 e a importância de um Plano de Contingências eficaz para este ano, vamos abordar algo que não é exclusividade da Copa do Mundo do Brasil: a flexibilidade exigida pelas empresas para que seus colaboradores possam assistir às partidas da seleção, seja dentro ou fora do horário de trabalho. Esse procedimento está tão enraizado na cultura das empresas que, por vezes, se esquece que ele é um benefício oferecido aos trabalhadores e que deve ser mostrado como tal.

 

Para começar, é importante pensar nos impactos que a Lei Geral da Copa 12.663/12 pode causar, principalmente no que se refere aos próprios municípios sedes optarem ou não por autorizarem feriados em dias de jogos. As empresas cujos processos e produções não podem parar, como serviços essenciais à população,  metalúrgicas e demais, deverão prever a continuidade dos trabalhos e eventualmente compensações como contrapartida, de certa forma certamente não previstas,para esses feriados. Há indústrias que trabalham em turnos ininterruptos, ou seja, domingos e feriados são considerados dias normais de trabalho.

 

Um dos pontos mais delicados se refere ao regimes, escalas e jornadas de trabalho, no que diz respeito à forma como o trabalho será organizado durante o período da Copa.

 

Muitas empresas, por iniciativa própria, adotam condições especiais de trabalho em jogos da Copa do Mundo, possibilitando à grande maioria dos empregados assistir aos jogos dentro ou fora da empresa, através de um sistema de compensação de horas, que por sua vez deve ser previamente negociado com os empregados, assistidos pelos respectivos sindicatos laborais.

 

As empresas, em geral, já estão acostumadas a negociar com seus colaboradores e sindicatos todos os anos, acordos de compensação para datas como Carnaval, Ano Novo, Natal, feriados prolongados... com Copa do Mundo não será diferente. E nessa negociação, o ideal já é considerar como certa a possibilidade dos feriados. E se deve também incluir no plano de contingência os possíveis resultados dos jogos da seleção, pois eles vão impactar diretamente no clima no ambiente de trabalho e, consequentemente, na sua produtividade.

 

Não é comum as empresas planejarem compensações relacionadas aos eventos esportivos, apesar de que todo ano há finais de campeonatos regionais, nacionais, sul americanos, mas nada se compara à copa do mundo no país do futebol, que traz algumas situações inéditas, pois, além das pessoas quererem assistir às partidas, com uma sensação de pertencimento mais desenvolvida, poderão ver de perto ídolos mundiais e/ou assistir aos jogos nos próprios estádios. Some isso às possibilidades de manifestações populares, um trânsito atípico e transporte público com tráfego modificado que se consegue traçar melhor o quadro previsto para os meses de junho e julho.

 

O risco de afetar a produtividade, aumento de horas extras e faltas é também uma excelente oportunidade para estreitar o relacionamento com os empregados, por meio de uma comunicação participativa sobre como superar os percalços provocados pela alegria que o esporte mais popular do país traz pra todos nós.

 

Como não poderia deixar de ser, a magnitude da Copa do Mundo no Brasil acarreta pontos positivos e negativos. Um efetivo Plano de Contingências pode maximizar os fatores bons e minimizar o impacto dos ruins.  Por isso, planejar é a palavra para 2014.


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