INTERAÇÃO

A Virtude do Equilíbrio como Fator de Produtividade e Competitividade

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Recente publicação da Confederação Nacional da Indústria revela que o Brasil, entre 12 países pesquisados, apresentou o maior aumento do Custo Unitário do Trabalho – CUT, no período de 2002 a 2012, tendo como consequência a perda de sua competitividade.

E por tudo o que sabemos, nos últimos 2 anos a situação se agravou ainda mais.

O CUT decorre da combinação da variação das taxas de câmbio, dos salários e da produtividade.

O que chama atenção na situação brasileira são as posições conflitantes entre o crescimento salarial, onde ocupamos a 2ª colocação e a posição de “lanterna” no fator produtividade.

As causas que levaram à essa situação, apontadas exaustivamente há anos, continuam presentes e piorando.

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Entretanto, muitas das causas, de âmbito interno, passam despercebidas da gestão empresarial, perdendo-se a oportunidade de colocar um pouco de equilíbrio na relação custos de pessoal x produtividade, chave na equação do CUT.

 

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Um bom exemplo é a forma como o trabalho é organizado, base para os dois componentes: custos de pessoal e produtividade.

Por sua vez, um dos aspectos mais importantes da organização do trabalho são os regimes de turnos, com suas escalas, jornadas e horários de trabalho e descanso.

Poucas são as organizações que dão a devida atenção ao tema, tanto pela sua aspereza, quanto pela complexidade das relações internas e externas envolvidas: entre as áreas produtivas e de recursos humanos, entre os colaboradores e suas lideranças, entre os sindicatos e os negociadores patronais, entre os órgãos fiscalizadores e judiciários e os departamentos jurídicos das empresas.

Nesse tema, são expressivos os impactos dos pequenos problemas e desvios no cotidiano do ambiente de trabalho em turnos, que se acumulam no tempo e atingem toda a empresa.

Para complicar definitivamente a situação, está aí o eSocial, cujo Manual acaba de ser publicado pelo Ministério do Trabalho e Emprego por meio da Resolução no. 1, no último dia 23 de fevereiro, o qual contempla um capítulo específico para turnos, jornadas e escalas de trabalho.

A gestão das horas extras, dos trabalhos em finais de semana, dos passivos trabalhistas decorrentes de fiscalizações e reclamações na justiça do trabalho, dos custos de pessoal, da produtividade das linhas demandam um trabalho urgente, pautado por uma visão técnica, jurídica e humana, de alta complexidade.

Em um primeiro plano, a virtude do equilíbrio dos interesses naturalmente antagônicos entre o capital e o trabalho, como fator de incremento da produtividade e da redução dos custos de pessoal, é uma responsabilidade da empresa. 

O caminho para se resolver esses problemas envolve a sensibilização e capacitação da direção, gerência e liderança; a realização de um diagnóstico preciso e objetivo; um estudo técnico com opções comparadas, inclusive com as melhores práticas de mercado, como suporte para boas decisões; e um processo de ajuste e mudança, seguro, planejado de forma estratégica, tática e operacional.

 

 

Heli Gonçalves Moreira

Estrategista empresarial e especialista e regimes de trabalho em turnos


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