INTERAÇÃO

As lições da Copa (das quais ainda não se falou)

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Por Heli Gonçalves Moreira

Sócio-diretor da HGM Consultores

Julho/2006

 

 

Relutei muito em dedicar o Interação de julho a este tema, um dos motivos do pequeno atraso. Futebol, tema irresistível, paixão nacional, não só do Brasil como muitos acreditam, passou de boca em boca e de ouvidos em ouvidos em todos os cantos do País, desde a recorrente derrota para a França.

 

O Mestre Aurélio define recorrente como: “diz-se de processos que podem ser indefinidamente continuados uma vez que seus efeitos parciais, sucessivamente, se transformam em causas de efeitos semelhantes”.

 

Os vários ângulos e aspectos da eliminação do Brasil versam sobre temas recorrentes, entre os quais se destacam a liderança e a motivação da equipe. Do ponto de vista da liderança, a televisão escancarou para o mundo vários estilos de liderança, com seus comportamentos e atitudes peculiares, alguns deixando a equipe jogar e respeitando as características individuais dos jogadores, outros interferindo durante todo o tempo de jogo, instruindo seus comandados, aos berros, até nas jogadas mais simples.

 

Houve inclusive um que não se comunicava diretamente com a equipe, passando instruções por meio de um auxiliar, que cumpriu suas várias missões de forma absolutamente técnica e lacônica. Do ângulo da motivação, para algumas equipes e jogadores, de nada adiantaram as correntes e vibrações da torcida.

 

Em alguns jogos as equipes se comportaram como se a torcida não estivesse presente, como se o jogo não estivesse sendo transmitido para a maioria das pessoas do planeta, como se estivessem treinando a portas fechadas.

 

Obviamente que os fatores motivacionais, nestes casos, estavam relacionados a outros valores diferentes dos valores das imensas torcidas. Na empresa, tal como no futebol, estes dois fatores recorrentes de insucesso, liderança e motivação, necessariamente devem andar juntos todo o tempo, sob pena de se voltar para casa, quando há esta obrigação, sem a taça.

 

No campo da medicina, a cura da maioria das doenças, somente é possível quando se tratam, de forma combinada e adequada, fatores recorrentes como má alimentação, exercícios físicos deficientes e medicação inadequada.

 

Na empresa, tal como na medicina, tratando-se os fatores liderança e motivação de forma integrada, será possível impedir “que seus efeitos parciais se transformem em causas de efeitos semelhantes”, deixando, portanto, de serem recorrentes. E aí, gostem ou não os adeptos do “resultado a qualquer custo” ou da “redução de custos a qualquer resultado”, a palavra mágica é Participação.

 

Com pelo menos uma justificativa eu concordo com o técnico da seleção brasileira, de que o mundo do futebol mudou e, a grande maioria dos atletas jogando no exterior, inevitavelmente criam outros valores de referência e aí, de pouco adianta a vibração da torcida.

 

Desnecessário lembrar que na empresa, tal como no futebol, o mundo mudou e as empresas, para fazer frente às novas demandas, mudaram radicalmente o nível cultural da sua força de trabalho e, com isso, surgiram novos comportamentos e atitudes dos colaboradores.

 

Participação, no seu sentido mais amplo significa, conciliar os interesses empresariais com os interesses dos colaboradores.

 

A eficácia do modelo de liderança está diretamente aliada às expectativas dos colaboradores, como: ganhar mais dinheiro, serem tratados com respeito, entender o significado das coisas, partilhar do sucesso da empresa e trabalhar em paz.

 

A Participação é a ponte entre a Liderança e a Motivação e atitudes como não discutir e divulgar, com abertura, clareza e antecedência, a melhor formação e a consequente escalação da equipe, sem dúvida contribuíram para a antecipação da volta, que alguns milhões de brasileiros planejaram para após o dia 9 de julho de 2006. 


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