INTERAÇÃO

As novas exigências do mercado altamente competitivo e o despreparo dos profissionais de RH

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Por Heli Gonçalves Moreira

Sócio-diretor da HGM Consultores

Janeiro/ 2008.

 

 

Dia desses, conversando com uma cliente, gerente de Recursos Humanos de uma grande empresa, que se encontra em fase de reestruturação da área, a mesma desabafou expressando suas dificuldades na seleção e contratação de alguns profissionais para a própria área de RH.

 

Dizia ela que em um processo seletivo o índice de aprovação dos candidatos para as vagas não chegou a 3%, ou seja, de 90 e poucos candidatos, somente 3 foram aprovados. Em processo similar para uma outra unidade da empresa, o índice foi somente um pouco melhor.

 

Entre os seus comentários um, em especial, chama a atenção, o fato de que quase todos os candidatos, inclusive para o nível de gerência média de RH, ao serem arguidos sobre realizações para melhoria do clima organizacional nas empresas onde trabalharam ou trabalham, praticamente nenhum conseguiu responder alguma coisa aproveitável.

 

Alguns sequer entenderam muito bem o porque do questionamento. Imediatamente recordei o boletim Interação de Outubro de 2007, citando que, para fazer frente às novas formas emergentes de atuação sindical, as empresas devem (re) criar suas políticas e práticas de relacionamento, de comunicação interna e de valorização dos seus benefícios e serviços ao pessoal, visando manter ou resgatar o respeito e a confiança dos seus colaboradores.

 

As empresas devem repensar suas políticas e práticas de gestão de pessoas, não somente em função dos sindicatos, mas também e, principalmente, porque a empresa moderna, para fazer frente a um mercado globalizado cada vez mais competitivo, necessita de equipes de trabalho fortalecidas e valorizadas, visando alcançar e superar os resultados planejados, podendo assim cumprir as suas metas com os acionistas, empregados e sociedade.

 

Certamente nossa cliente esperava que pelo menos alguns dos candidatos citassem realizações na linha do alerta dos parágrafos anteriores o que, infelizmente, não ocorreu. Como outras empresas clientes igualmente manifestaram recentemente dificuldades similares para se contratar bons profissionais de RH, razoavelmente preparados para este ambiente de competitividade, o problema realmente está preocupante.

 

As causas provavelmente estão ligadas ao fato de que, enquanto não demandadas nesta área de gestão de pessoas durante muito tempo, as empresas não somente deixaram de investir na formação destes profissionais, mas reduziram em alguns casos drasticamente suas estruturas de RH, incorporando-as como áreas secundárias de outras mais em evidência. O resultado? Uma “juniorização” da área de RH.

 

A consequência: a necessidade de investimentos urgentes na formação profissional, claramente perceptível em inúmeras outras situações como, por exemplo, empresas em franco crescimento que não contam com pessoas suficientes nos seus quadros de RH para cobrir as novas vagas.

 

Cursos específicos de formação, coordenados por grandes grupos empresariais ou associações patronais e conduzidos por entidades credenciadas ou a revisão interna das estruturas de RH, podem ser boas ideias para serem incluídas nos projetos empresariais para 2008.

 

Feliz 2008!


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