INTERAÇÃO

Boas soluções para problemas complexos

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Por Heli Gonçalves Moreira

Sócio-diretor da HGM Consultores

Fevereiro/ 2007.

 

Os tempos modernos, em ritmo de integração global dos negócios e empresas e, em especial, este ano de dois mil e sete, estão exigindo que as lideranças empresariais, em todos os níveis, encontrem boas soluções para problemas complexos, os quais, por sua vez são, na sua maioria, antigos e crônicos. Certa vez uma ex-colega de trabalho comentou que eu possuía uma habilidade de extrair boas soluções para problemas complexos a partir das próprias situações onde os problemas estavam inseridos. Desde então tenho procurado aprimorar e desenvolver esta habilidade, visando assessorar os clientes a tomar boas decisões relacionadas às pessoas e ao ambiente de trabalho, que reflitam de forma positiva e direta nos resultados dos seus negócios. A metodologia utilizada, se é que assim posso denominar, consiste em integrar algumas condições e características, entre as quais:

 

• Enunciar, de forma clara e precisa o problema, por meio de uma análise minuciosa da situação com foco para os detalhes, o quais na maioria das vezes são demasiadamente óbvios e, por consequência, passam despercebidos.

 

• Procurar compreender as diferentes visões das pessoas envolvidas, utilizando pelo menos três ferramentas psicológicas muito eficazes para este propósito: Empatia: raciocinar com os valores e critérios das outras pessoas. Percepção: estar atento para sinais e detalhes escritos, verbais e não verbais que permitam distinguir informações relevantes para análise do problema. Importante lembrar que para uma boa parte das pessoas a versão é mais importante do que o fato. Defesa da Personalidade: entender que as pessoas muitas vezes agem e reagem em função das ameaças percebidas e não necessariamente das ameaças e oportunidades reais.

 

• Entender que todo grupo social, por mais homogêneo que possa parecer, apresenta suas reações a uma determinada situação, distribuídas de forma normal na famosa curva de Gauss, isto é, alguns poucos são contra, outros tantos são a favor e a grande maioria é indecisa, aguardando fatos ou argumentos que os convençam, para um lado ou para o outro. Como o esforço para convencer os extremos não compensa os resultados, qualquer decisão ou estratégia deve considerar a maioria indecisa a ser atingida. Vale destacar que a ditaria, representada pela ação da minoria ativa sobre a maioria omissa, pode levar a decisões e soluções impróprias, inoportunas e, portanto, indesejáveis.

 

• Obter informações, pesquisas e/ou dados estatísticos, quando possível, que confrontem ou justifiquem as causas e as consequências do problema. Este passo é de fundamental importância para o processo, visto que podemos ser facilmente enganados pela versão dos fatos. Neste particular vale destacar que a maioria das pessoas não se sente estimulada a realizar tarefas que demandam tempo e esforço e que muitas vezes se apresentam como simples demais. Fazer ou não a “lição de casa” pode representar a diferença entre sucesso e o fracasso de uma decisão.

 

• Elaborar uma lista de opções de decisões, realizando uma análise de custos, benefícios e riscos. Escolher entre as opções viáveis a alternativa que além de apresentar a melhor relação “custos – benefícios – riscos”, preferencialmente não elimine as demais. Desenvolver um plano alternativo que possibilite migrar para outra opção de solução, com o menor desgaste e trauma possíveis.

 

• Assegurar que todas as ações visando reforçar os impactos positivos da decisão, bem como mitigar os negativos, estejam seguindo princípios éticos e legais. Somente um plano consistente e coerente poderá propiciar a segurança necessária para a tomada de uma decisão que vise solucionar problemas complexos que, como dissemos, na maioria das vezes são antigos, crônicos e recorrentes. Tudo indica que dois mil e sete será um bom ano para tomar boas decisões visando solucionar problemas que estão incomodando as pessoas, o ambiente de trabalho e os resultados dos negócios. A dúvida é: antecipar-se ou esperar pra ver.


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