INTERAÇÃO

Uma bola de neve no verão baiano

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Por Heli Gonçalves Moreira

Sócio-diretor da HGM Consultores

Março/2012

 

Um ponto importante depois que termina uma greve é ver o que se aprendeu com ela e o quanto se fortaleceu. E, claro, analisar se ela realmente acabou, se os motivos foram, de fato, resolvidos ou apenas adiados. Um exemplo disso foi a complicada situação passada na Bahia, às vésperas do seu maior evento anual, o carnaval. Uma verdadeira bola de neve que provavelmente teve seu início muito antes de sua deflagração e cujas causas tivessem sido combatidas desde então, não faria o estrago que vimos nos noticiários, nem teria se transformado no grande descontrole, que afetou outros estados, além de sua catastrófica consequência: o aumento da criminalidade.

 

 

O contexto baiano em nada se difere ao de uma corporação ou empresa, onde prevalece a premissa de que o responsável direto por (solucionar) uma crise é o seu principal gestor e, no caso da Bahia, o seu Governador.
 

 

Muitos encaram crise apenas como uma anormalidade, mas erros de processo, deficiências, conflitos e falhas fazem parte do dia a dia de qualquer grupo social e de qualquer empresa. O que não se pode fazer é ignorar esses fatores latentes do cotidiano, na crença de que pouco interferem na paz do ambiente de trabalho. Não se pode esquecer outra importante premissa, a crise nunca se resolverá sozinha. Assim, poucos sabem que a direta atuação nestes fatores latentes pode evitar o surgimento da bola de neve que, a princípio é pequena, porém, se não for eliminada, se converte em um abominável homem das neves corporativo.

 

 

E essa criatura não reinvidicará apenas a solução dos fatores latentes, mas sim, entrará no campo estrutural, conjuntural e até ideológico.

 


Em outras palavras, deixando de lado os problemas corriqueiros, não os solucionando, a crise crescerá de forma exponencial, deixando o problema cada vez maior, com um tempo para resolvê-lo inversamente proporcional. A ausência de um planejamento de crise irá instaurar um ambiente cada vez mais conflituoso. Para entender melhor, basta imaginar o clima que a população e turistas da Bahia sofreram, mesmo com o encerramento da greve. Se transformou uma cauda longa que se estenderá por meses, com picos de estresse sempre que uma situação parecida ocorrer.

 


Os mesmos ares já respiram as obras do PAC, inclusive aquelas relacionadas à Copa do Mundo no Brasil. Esta situação está requerendo dos empreendedores e das construtoras ações estratégicas como a capacitação e comprometimento das lideranças e uma comunicação eficaz, sob pena de se comprometer o maior evento do país desta década.

 


O caso da Bahia, se desdobrando em outros estados, categorias e eventos (Copa do Mundo, Olimpíadas...), é de se refletir. Basta pensar que o início do problema não coincide com o início da greve, tampouco respeita a legislação sobre greve para policiais (que, legalmente, não podem fazê-la). Especialistas citam ainda a anistia concedida pelo Governo do Ceará em janeiro, assim como o reajuste de 56% para policiais, como o princípio de todo esse processo.

 


O que não pode é se cegar perante os fatos. Você, gestor, não pode ser surpreendido por uma crise. Os motivos sempre estarão presentes no cotidiano, nos corredores, na “rádio-peão” e isso é totalmente normal. Cabe a você perceber e interpretar os seus sinais, planejando e agindo preventivamente.


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