INTERAÇÃO

Derrubando mitos nas Relações de Trabalho

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Por José Emídio Teixeira

Vice-Presidente de Relações Institucionais da ABRH - SP

Abril/2013

 

A atual temporada de greves provoca inquietações no mundo corporativo. Como sempre as movimentações promovidas pelos sindicatos deixam as lideranças empresariais tensas e preocupadas. É como, repentinamente, se dessem conta de que não detém o controle sobre suas organizações. Há uma sensação de revolta e insegurança com este estado de coisas.

 

A reação inicial é responsabilizar os sindicatos por esta desagradável sensação de mal estar. Afinal, não são eles que na mídia e nos boletins sindicais enumeram as mazelas das empresas e os resultados que pretendem obter com as paralizações em cadeia? Não são os sindicalistas que viram a cabeça dos trabalhadores, levando-os a trocar o comprometimento pelas reivindicações?

 

Este ano tem sido especial para atiçar a birra dos dirigentes empresariais com os sindicatos. Da rebelião do Jirau à surpreendente greve dos empregados do combativo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, foi um pipocar constante e diversificado de greves por todo o país.

 

O que faz tantos trabalhadores escolherem as greves para buscar respostas para suas demandas? Os sindicatos têm realmente o poder que lhes é atribuído? Qual a importância das relações das empresas com os empregados para evitar as greves?

 

Para começar os trabalhadores não gostam de fazer greves, mas, muitas vezes, são levados a fazê-las pela falta de atenção e preparo das chefias para entender suas demandas e expectativas.

 

Na falta de interlocutores internos, eles procuram os sindicatos que, para atendê-los, usam seu repertório básico: panfletagem, pauta de reivindicações, negociações e, em muitos casos, a greve. Isto, nem sempre, na ordem certa.

 

As empresas, por sua vez, negociam pouco, olham para o sindicato como um bicho de sete cabeças e não estão aparelhadas para gerenciar as relações sindicais. Muitas das respostas obtidas pelos sindicatos são insatisfatórias na forma e no conteúdo.

 

O resultado é que ambos se sentindo cobertos de razão e após rápidas e infrutíferas tentativas de negociação passam do conflito para o confronto.

 

O fato é que o mundo mudou, os trabalhadores mudaram, as tecnologias mudaram, mas, a postura dos atores sociais, ressalvadas honrosas exceções, continua atrelada à década de trinta do século passado.

 

O governo, os empresários e os sindicalistas continuam a comemorar suas pequenas vitórias no varejo e conviver com derrotas no atacado.

 

A principal dificuldade de todos parece ser passar a tratar os trabalhadores como os atores principais e não como coadjuvantes no cenário trabalhista. Patrões, sindicalistas e agentes do Estado insistem em resolver sozinhos os problemas dos trabalhadores, muitas vezes, sem consultá-los. É comum os trabalhadores serem tratados com se fossem seres de ficção.

 

Os trabalhadores têm luz própria e deveriam ser chamados para participar. Ao contrário do passado, eles já não aceitam passivamente as orientações das lideranças, sejam das empresas ou sindicatos. Em trabalho recente para analisar as causas de uma greve ouvi dos trabalhadores que eles não confiavam nem na empresa nem no sindicato e queriam formar uma comissão para acompanhar de perto as nebulosas negociações.

 

As empresas antes de responsabilizar os sindicatos por todos os males que as afligem, deveriam avaliar as relações que mantem com os empregados, considerando a qualidade do ambiente de trabalho, a comunicação interna, a forma como lidam com reclamações e reinvindicações, a ação das lideranças e os desafios e oportunidades que oferecem.

 

Os sindicatos patronais e laborais precisam repensar seus papéis e formas de atender respectivamente as empresas e trabalhadores, não os vendo somente como uma fonte inesgotável de recursos, mas, como clientes.

 

A reserva de mercado assegurada pela unicidade sindical, criou a falsa ilusão de que as entidades sindicais têm o direito e o poder para fazer o que bem entenderem. Isto ocorria no passado e era aceito pela maioria. Hoje, porém, já não se coaduna com as condições da sociedade e da economia.

 

O maior desafio das empresas e sindicatos é resolver os conflitos trabalhistas na perspectiva da sustentabilidade dos negócios e das relações de trabalho. Precisam acreditar na possibilidade de construir um pacto que fortaleça as empresas e trabalhadores.

 

As greves devem ser olhadas com indicadores da falta de qualidade das negociações e da gestão das relações com os empregados e não como um fenômeno incontrolável, uma espécie de ”tsunami social”.

 

Por último, os executivos que insistem com razão na importância de trazer os trabalhadores para o lado da empresa, precisam descobrir o que deve ser feito para colocar as organizações do lado dos empregados.

 

A HGM realiza o Seminário "As Novas Relações Capital-Trabalho" com o objetivo de capacitar os gestores e lideranças internas a assumirem o seu papel de representantes do capital perante suas equipes, responsabilizando-se pela manutenção de um ambiente de trabalho harmônico, pelo processo de comunicação interna e pelo controle do clima organizacional durante os processos de negociação coletiva. Confira aqui.


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