INTERAÇÃO

E a luta continua

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Por Heli Gonçalves Moreira

Sócio-diretor da HGM Consultores

Outubro/ 2006.

 

Contrariamente às mais pessimistas expectativas prévias à votação do primeiro turno, a disputa presidencial foi para o segundo turno revertendo, pelo menos em parte o otimismo de continuidade do atual governo. No Interação do mês passado, baseado no (quase) fato de que o destino do Brasil para os próximos quatro anos já estava definido, elaboramos cenário de dificuldades para as empresas no campo das relações trabalhistas e sindicais. À luz dos novos acontecimentos, em especial as surpresas da necessidade do segundo turno e da estratégia determinada do candidato do PSDB por ocasião do primeiro debate (para o candidato do PT) no último dia 8, temos que considerar a hipótese de uma vitória do Geraldo Alckmin. Neste caso, o que irá acontecer no campo das relações trabalhistas e sindicais? Alguns cenários podem ser aventados, desde um enfraquecimento das lideranças sindicais, muitas delas atreladas diretamente ao atual governo ou vivendo das críticas a este, até o pior dos mundos se considerarmos algum sentimento de revolta pela perda do poder. Neste sentido, uma reportagem da Folha de São Paulo do dia 8 de outubro, assinada pela jornalista Mônica Bergamo pode nos dar uma pista, quando cita que em recente jantar com empresários em São Paulo, um dos deputados mais influentes do PT afirmou que “o Alckmin, se eleito, não vai governar porque o PT, MST e a CUT não vão dar trégua”. Seja como for, os caminhos possíveis para uma mudança na legislação trabalhista e sindical serão traçados, ou pela via da facilitação, considerando o PT na continuidade do governo, ou pela via do confronto, na hipótese do PT fora do próximo governo e com pretensões de retornar no seguinte. Na segunda hipótese, o governo Alckmin encontrará sérias barreiras no Congresso Nacional quando de propostas de flexibilização da legislação trabalhista e sindical. Tanto um quanto o outro cenário remetem à necessidade de que as empresas, que ainda não o fizeram, passem a considerar, definitivamente, em suas estratégias de negócio, a gestão de pessoas como fator de sucesso ou, pelo menos, como ponto de equilíbrio nos conflitos coletivos do trabalho resultantes das lides sindicais. Para as empresas que ainda não assimilaram esta cultura resta sempre uma dúvida: por onde iniciar o processo de mudança? Trabalhar as Lideranças internas, representadas pelos diferentes cargos de gestores pode ser um bom começo. Usualmente os fatores preponderantes das métricas que avaliam as Lideranças estão relacionados aos resultados operacionais e econômicos. Incluir outros fatores a estas métricas, como por exemplo, a responsabilidade pela gestão de pessoas e pela representação do Capital nas relações trabalhistas e sindicais é uma forma prática de se promover um processo efetivo de mudança. O refinamento do conceito de liderança alicerça os programas de gestão de pessoas, com reflexos diretos e imediatos no clima organizacional e nos resultados dos negócios das empresas.


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