INTERAÇÃO

Há algo de novo na República Trabalhista Federativa dos Estados Unidos do Brasil

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Por Heli Gonçalves Moreira

Sócio-diretor da HGM Consultores

Setembro/ 2007.

 

 

Neste ano, é notório que o movimento sindical reacendeu e, com ele, os conflitos coletivos do trabalho. Importantes categorias, algumas tranquilas há muitos anos, foram às ruas mobilizar trabalhadores sob diferentes pretextos, algumas por pretexto algum.

 

Como o caso dos metalúrgicos da baixada santista, em que seus dirigentes principais simplesmente se recusam a assinar o Acordo Coletivo, com base na proposta da empresa aprovada em assembléia. Outras, como o caso da Força Sindical em São Paulo, lotando o TRT com dissídios decorrentes de impasses criados nas negociações de PPR.

 

Outro ainda, visando justificar mudanças nas lideranças sindicais locais. O fato é que, movimentos trabalhistas estão ocorrendo, independentes das justificativas de suas lideranças.

 

Uma análise mais acurada da situação indica um conjunto de causas prováveis que, combinadas, podem provocar um efeito cascata devastador, como na época do governo Sarnei, quando tivemos um surto de greves jamais vista na história do Brasil. Destacam-se quatro causas básicas prováveis:

 

1. Continuidade do governo Lula, de origem e tendências populares socialistas. Neste caso ainda não é possível definir uma oposição capaz de encantar os “bolsistas família”, o que poderá prolongar o atual governo em mais quatro anos, além dos três que ainda faltam.

 

2. Bom desempenho da economia, gerando aumento na oferta de empregos.

 

3. Estagnação empresarial na gestão de pessoas.

 

4. Luta pela conquista de bases sindicais, visando o fortalecimento das Centrais Sindicais, como pré-requisito para o acesso à verba aproximada de R$ 120 milhões anuais, oriundos da contribuição sindical (desconto de um dia de cada trabalhador, no mês de março), pelo repasse de 10% do total arrecadado (R$ 1,2 bilhão).

 

A concordância com a análise acima implica:

 

1º) forte tendência de crescimento e fortalecimento dos movimentos trabalhistas sindicais, inclusive com reforços inter categorias e inter grupos sociais ativos como o MST.

 

2º) à exceção da terceira causa provável, as demais não estão sob o controle das empresas. Em tempos de vacas magras (economia em baixa, instabilidade política e desemprego em alta) até que é permitido um certo relaxamento na gestão das pessoas e do clima organizacional.

 

Entretanto, o contrário é absolutamente verdadeiro e, quem relaxou, agora tem que recuperar o prejuízo e o tempo perdido e, convenhamos, é sempre mais custoso e desgastante. Portanto, mãos a obra.

 

A grande tarefa é (re)conquistar a admiração dos empregados e o orgulho de “fazer parte de uma empresa vencedora”:

 

• reciclando as lideranças internas;

 

• ouvindo e informando melhor os empregados;

 

• revisando os itens que mais afetam as boas relações no trabalho como: condições, serviços ao pessoal (transporte, alimentação etc) e políticas de recursos humanos relacionadas à percepção de injustiça por parte dos empregados (carreira, perspectivas profissionais, remuneração, reconhecimento e disciplina).


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