INTERAÇÃO

Inflação acima de 8%

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Abril / 2015

Mesmo sendo um combustível para as negociações coletivas, 

a notícia da inflação acima de 8% resistiu poucas horas na mídia.

Como essa esperada informação irá impactar os já preocupantes custos operacionais e como enfrentá-la de forma eficaz?

O fato inevitável é que, com a inflação acima de 8%, no curto prazo poderão ocorrer consequências desastrosas para as empresas.
Recente pesquisa da Towers Watsonrealizada com inúmeras organizações, revela que, apesar do péssimo cenário da economia em 2014, as empresas e entidades patronais continuaram negociando aumentos acima da inflação, ainda que menores do que nos anos anteriores:
                       2012 = 1,8%       2013 = 1,3%        2014 = 1,2%

A partir de 2008, os sindicatos colocaram em prática uma estratégia de negociação coletiva vencedora - ignorar as crises. Os resultados alcançados comprovam a eficácia sindical, tanto que 62% das empresas pesquisadas estão trabalhando, em suas previsões orçamentárias para 2015, continuar negociando aumentos reais, a maioria delas entre 1% e 2%.

Isso, se concretizado, elevará o patamar médio do reajuste total, que no ano passado ficou entre 6,6% e 7,8%, para percentuais próximos e mesmo acima de 10%. São números assustadores para uma realidade de queda de vendas e produção, que está obrigando as empresas a adotar medidas drásticas como bancos de horas, férias coletivas, layoffs e demissões coletivas.

Trata-se de uma estratégia empresarial inconsistente, pois distribuir o que não se tem não fecha as contas, especialmente nesse momento crucial.

Está mais do que na hora da empresa assumir o controle dessa importante variável que afeta os custos, a produtividade e a competitividade de seus negócios e, como consequência, a sobrevivência dos empregos possíveis.

Assumir o controle significa rever o posicionamento, as estratégias e as táticas relacionadas aos processos de negociação coletiva, sejam eles conduzidos pelas entidades patronais ou pelas próprias empresas.

E há pouquíssimo tempo, pois uma parcela considerável das negociações coletivas, incluindo as de participação nos lucros, está ocorrendo nesse momento.

Cumprir essa tarefa de alta complexidade e impacto para os negócios requer contar com negociadores patronais sensibilizados e capacitados para novas posturas e atitudes nas mesas de negociação.

Internamente, as organizações devem capacitar e comprometer sua liderança com um plano de comunicação estruturado perante suas equipes.

Cada colaborador deverá conhecer profundamente a situação, de forma realista, objetiva, sem ilusões e as consequências de uma inflação acima de 8% acrescida de aumento real aplicada sobre o seu salário.

Esse novo posicionamento empresarial certamente provocará reações, o que indica a necessidade urgente de um plano de contingências capaz de administrar eventuais conflitos coletivos, preservando os seus patrimônios comercial, financeiro, tecnológico, humano e assegurando a continuidade do processo produtivo. 
 


Heli Gonçalves Moreira

Convido-o para continuar esse bate-papo e explorar outros ângulos desse tema tão complexo heli@hgmconsultores.com.br

 


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