INTERAÇÃO

Liderança - A verdadeira crise nacional

VOLTAR

Por Heli Gonçalves Moreira

Sócio-diretor da HGM Consultores

Julho/ 2007.

 

Impossível falar em outra coisa nos últimos dias que não o famigerado e maldito acidente da TAM, que tirou do nosso convívio centenas de vidas humanas. Ainda mais em nosso meio empresarial, cujas distâncias foram encurtadas pelas viagens aéreas. Especialmente em Congonhas, síntese da crise aérea nacional, além dos passageiros tidos como comuns, o que mais temos visto, nós os consultores e os colegas executivos das empresas clientes, usuários habituais, são correrias frenéticas e infindáveis à busca de informações que nos levem ao portão de embarque correto ou a que hora exata o avião decola.

 

Afinal os compromissos não podem esperar. Tempo é dinheiro. A mídia, cumprindo sua obrigação, tem mostrado à nação, quase todos os ângulos da crise, infelizmente a maioria muito lamentável. Especulações, acusações, agressões, fuga de responsabilidade são atitudes presentes nas pessoas que deveriam liderar os processos relacionados ao sistema aéreo. Três comportamentos assertivos, de crucial importância para qualquer sistema, não estão presentes nesta crise: Assumir, Decidir e Comunicar.

 

Toda crise tem dono e esta, por sua vez tem a cara do dono. Esta crise, como qualquer outra, deve ser analisada em diferentes níveis de responsabilidade, cada qual com o seu respectivo dono.

 

O Presidente da República, o Ministro da Defesa, os Presidentes da Infraero, da ANAC, seus Diretores e Representantes nos aeroportos, o Comandante da Aeronáutica e toda sua hierarquia, todos deveriam ter assumido suas responsabilidades há muito tempo, o que lamentavelmente não ocorreu, salvo honrosas exceções. Decisões importantes foram adiadas. Decisões urgentes não foram tomadas no momento certo. Decisões simples foram transformadas em complexas.

 

Decisões complexas foram simplificadas. A maioria delas não surtiu o efeito desejado. E mais: decisões sem foco e prioridade terminaram por ceifar centenas de vidas humanas por, pelo menos, duas vezes em menos de um ano. Faltaram recursos aos responsáveis como: delegação de autoridade compatível com as responsabilidades, apoio técnico, treinamento, orientação e, especialmente, informações claras e seguras.

 

Como consequência, o que estamos vendo é a falta de uma estratégia de comunicação capaz de, mesmo no centro de uma crise, demonstrar respeito e promover a tranquilidade às pessoas. Fica aí também uma lição para as empresas envolvidas nesta e em outras crises: Assumir, Decidir e Comunicar são comportamentos assertivos mínimos indispensáveis ao verdadeiro Líder, em qualquer nível.

 

Os resultados, como: aumento da produtividade, da qualidade e dos lucros serão consequências naturais para quem os adotar. Não é necessários colocá-los acima de todas as coisas.


Compartilhe:  Bookmark and Share