INTERAÇÃO

Obrigação do Saber

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Por Heli Gonçalves Moreira

Sócio-diretor da HGM Consultores

Novembro/ 2005

 

 

Caro Leitor,

 

A nossa vida profissional, cada vez mais pressionada pelas exigências e contingências da vida moderna, não nos deixa tempo para troca de ideias e informações, tão necessário para justamente fazer frente às demandas profissionais.

 

Com o objetivo de minimizar os efeitos deste paradoxo, resolvemos criar uma forma para que, pelo menos uma vez ao mês, possamos falar de pessoas, com foco nos sistemas e processos de gestão e nas estratégias e táticas inerentes.

 

A ideia é que possamos interagir, via este moderno instrumento internet, que tanto nos incomoda e, quem sabe, passe a nos ajudar. Não há regras específicas ou rígidas, mas apenas o esforço de comunicação e interação com nossos clientes, via alguns temas pertinentes e relevantes.

 

Portanto, vale: apenas ler e meditar, ler e esquecer, responder, questionar, solicitar mais detalhes, discordar, sugerir pesquisar algum tema relevante, levantar outras questões para trocar experiências com outros clientes etc. OBRIGAÇÃO DO SABER nas páginas amarelas da Revista Veja de 19.10.05, foi entrevistado Peter Eigen, advogado alemão, ex-diretor do Banco Mundial, fundador e presidente da Transparência Internacional, considerada a principal ONG de combate à corrupção no mundo.

 

Eigen analisa vários aspectos da atualidade brasileira, em especial os escândalos do governo Lula e do futebol, comparando-os com outras realidades. Uma questão em especial chama a atenção: a sua definição sobre corrupção, como sendo "... o uso indevido de um poder qualquer para obter ganhos em benefício próprio".

 

Este conceito nos remete diretamente para o caso das lideranças internas das empresas, função exercida por profissionais sob os mais diferentes títulos, dentre os quais os mais comuns são gerentes e supervisores.

 

Estes profissionais são investidos, pela direção da empresa, do chamado poder delegado, que será exercido perante os demais membros da organização, em particular perante os subordinados.

 

O pressuposto é que todos façam "uso devido" deste poder e aí, tudo bem. Entretanto, como são poucas as empresas que preparam as pessoas para exercerem funções de liderança de forma antecipada e planejada, é de se supor que alguns, ou muitos façam "uso indevido" do poder delegado.

 

Comportamentos e atitudes inadequadas das lideranças, ou o uso indevido do poder, além de ferir os valores éticos e morais, podem transformar-se em grandes dores de cabeça para os dirigentes empresariais, seja pela desmotivação do pessoal, pela queda de produtividade e qualidade ou, como está em moda na Justiça do Trabalho, em casos de "assédio moral".

 

Para complicar um pouco mais o expediente do dirigente empresarial, Peter Eigen não deixa por menos, ao afirmar sobre o conceito da "obrigação do saber", que "o chefe é responsável pela ação dos seus subordinados".

 

É desta obrigação que o Presidente Lula tem tentado desvencilhar-se, com grandes dificuldades, no caso de alguns ministros e assessores mais diretos. Eis aí um tema sobre o qual vale a pena investir, pelo menos para poder dormir em paz. Até o próximo mês! Cordialmente.


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