INTERAÇÃO

Orgulho de Ser

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Por Sirley Almeida

Consultora da HGM Consultores

Maio/2010

 

Alguns anos atrás uma Executiva de Recursos Humanos me disse que o termo “trabalhador” carrega em si uma mensagem muito negativa, pois ele pode ser dividido em duas palavras: trabalho e dor. Segundo ela, ter a dor associada ao trabalho coloca a atividade profissional irremediavelmente como algo oposto ao prazer, a alegria, a realização. Era como uma “sentença”: trabalhar é um preço que se paga para sobreviver. Achei a reflexão muito pesada, exagerada. Afinal, tomando como base o conhecido modelo da hierarquia das necessidades de Maslow(1), as boas empresas tratam de assegurar remuneração adequada, benefícios atrativos e condições dignas de trabalho. E também procuram agregar valor à relação por meio do atendimento das necessidades situadas nos níveis mais altos da pirâmide, onde as aspirações por auto-estima e auto-realização falam de contextos mais amplos que os da sobrevivência. Os programas voltados à melhoria da qualidade de vida, participação e comunicação tem relação direta com esses níveis mais sutis das necessidades humanas. Hoje, a experiência em organizações de segmentos e portes diversos faz considerar que ambas as reflexões são parte da mesma realidade: possibilitar o desenvolvimento do sentimento de realização a partir do trabalho, tornando-o uma fonte de satisfação pessoal profunda não é tarefa fácil e temos razões históricas que contribuem para isso (e até a origem da palavra trabalho não ajuda muito(2)). Mas as empresas sabem e procuram mudar o cenário por meio de uma série de ações. Não estamos tratando aqui do prazer, da satisfação, do orgulho em se trabalhar numa empresa pelo seu porte, imagem, posição em relação à concorrência. O orgulho de que falamos e talvez possamos utilizar como sinônimos as palavras pulsão, paixão, engajamento, nasce e se expressa no cotidiano das organizações. É o sentimento que possibilita as pessoas encarem com mais disposição os desafios da competitividade, que dediquem atenção plena às suas tarefas e que favorece uma maior aproximação entre Capital e Trabalho. Nesse sentido, os esforços empreendidos parecem não atingir a profundidade almejada e a relação do dia-a-dia — e não os processos institucionais — entre líder e subordinado faz muita diferença. É nas relações entre líderes e liderados que o verdadeiro vínculo com a organização se constrói. Isso exige que o exercício da liderança seja vivenciado como um processo contínuo de relacionamento com as necessidades e aspirações da equipe. E, para cumprir esse papel (missão, talvez) o líder precisa lançar mão de sua capacidade de ouvir com empatia, de sua disposição em procurar entender e atender aos anseios legítimos e estabelecer uma comunicação clara e transparente. Desenvolver e/ou resgatar o orgulho dos colaboradores pode ser entendido como um convite diário que o líder faz a si mesmo e à sua equipe para que cada um seja o que é e, a partir disso, possa construir relações vivas onde necessidades, aspirações, oportunidades de melhoria e forças são reconhecidas, acolhidas e cuidadas. Sirley é psicóloga, com especialização em Psicossíntese e Técnicas de Integração dos Níveis de Consciência. É Professional & Self Coaching. Em parceria com a HGM Consultores elabora e aplica Programas de Desenvolvimento de Lideranças. (1)Abraham Maslow ,psicólogo americano, apresentou uma teoria da motivação, segundo a qual as necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, numa hierarquia de importância e de influência, numa pirâmide, em cuja base estão as necessidades mais baixas (necessidades fisiológicas) e no topo, as necessidades mais elevadas (as necessidades de auto realização). Fonte: Wikipédia e Portal do Marketing. (2)A palavra "trabalho" tem sua origem no vocábulo latino "TRIPALIU" - denominação de um instrumento de tortura formado por três (tri) paus (paliu). Desse modo, originalmente, "trabalhar" significa ser torturado no tripaliu. Fonte: Por trás das letras.


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