INTERAÇÃO

Que falta faz um Supervisor

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Por Heli Gonçalves Moreira, Heli Gonçalves Moreira Júnior e Equipe.

Sócios-diretores da HGM Consultores

Dezembro/ 2006.

 

O jornal Folha de São Paulo do dia 23 de novembro último publicou “A equipe de controladores de tráfego (aéreo) responsável por monitorar o jato Legacy estava atuando sem supervisão na parte da tarde em que ocorreu a colisão com o vôo 1907 da Gol, no (fatídico) dia 29 de setembro”. Talvez o Interação deste mês de dezembro, por se tratar de um veículo de contato com nossos amigos e clientes, merecesse um tema mais ameno e natalino, mais esperançoso e adequado ao final e início de ano, afinal temos, pelo menos, mais quatro anos pela frente. Entretanto, esta lamentável ocorrência ainda está muito presente em todos nós e, independente dos desencontros e fugas das pessoas responsáveis direta e indiretamente, a notícia do periódico, ainda que de forma superficial, aborda a questão do ponto de vista da organização do trabalho e, especialmente da liderança direta da equipe de controladores, aqueles que, de fato, executam as tarefas, diga-se de passagem, da mais alta relevância e responsabilidade. Há muitos anos, a partir da análise de mais de uma centena de ocorrências, desenvolvemos o conceito do conflito coletivo do trabalho, diretamente relacionado à forma de organização do trabalho e da liderança direta das equipes. A aplicação prática deste conceito, que tem sido fator de sucesso no entendimento das causas e conseqüências de desvios e de conflitos coletivos nas relações do trabalho, se encaixa integralmente no caso em pauta. Tal como em muitas empresas que de imediato apontam o radicalismo de alguns sindicalistas, os responsáveis pelo Ministério da Defesa e o próprio comando da Aeronáutica, se apressaram em atribuir as causas do acidente a outros, no caso, exclusivamente os pilotos do Legacy. Considerando a integridade e o caráter daqueles que foram porta-vozes oficiais, creio sinceramente que eles acreditaram no que estavam falando naquele momento. Até hoje os envolvidos na investigação do acidente ainda estão “batendo cabeças” para explicar o ocorrido, em razão de uma quantidade enorme de causas concorrentes, tanto estruturais, quanto manifestas e latentes. As causas estruturais, como o sistema de cobertura do tráfego aéreo ou a subordinação militar dos controladores, têm raízes profundas e, conseqüentemente, de difícil eliminação. As manifestas, muitas vezes fruto da habilidade de oportunistas, apresentam características reivindicatórias, especialmente aquelas que contém apelo promocional, constituem as chamadas “bandeiras de lutas” dos postulantes. Por último as latentes, semelhantes à sujeira que, por falta de consciência da serviçal e/ou de sua patroa, é varrida diariamente para baixo do tapete e que após longo tempo, sem que ninguém se aperceba, provoca o tropeço de uma das duas e é repentinamente descoberta. A matéria citada diz ainda que “o papel do supervisor, um controlador de tráfego mais experiente, é acompanhar o trabalho dos operadores que monitoram o console. Seu papel é assegurar que os controladores estejam atentos e interferir caso surjam problemas”. A opinião, especialmente de quem viaja com freqüência, o meu caso, é de que a função de controlador de vôo é de altíssima pressão física, mental, emocional e até mesmo espiritual. Como tal, fatores como os abaixo enumerados, são de fundamental importância para o sucesso do exercício da função: •organização de trabalho envolvendo efetivo de pessoal, horários e jornadas de trabalho, relações de interdependência etc., que propicie o equilíbrio entre pressão e disciplina, ambas absolutamente necessárias, com o descanso físico, mental e emocional; •estilo de liderança educadora e orientativa que permitia o crescimento profissional e decorrente autonomia dos controladores e não presencial, fiscalizadora e intervencionista; •ambiente participativo que estimule a manifestação individual e coletiva, tendo como resultado o apontamento profissional e responsável dos problemas e desvios, provocando soluções e não um ambiente fechado, autocrático que conduza tudo para o latente dos controladores e do próprio sistema, camuflando causas e adiando soluções. O preço deste desvio, perfeitamente evitável, é muito alto e inadmissível: mais de uma centena e meia de vítimas fatais, desequilíbrio de todo o sistema de tráfego aéreo do Brasil, descrédito generalizado, medo e pânico nas pessoas, desestimulando o turismo, excelente fonte de receita e emprego. O desconforto nos saguões dos aeroportos, amplamente divulgado, que representa a parte manifesta do problema, pela sua repercussão, acaba escondendo os demais prejuízos e as verdadeiras causa do ocorrido. Visando ajudá-lo a refletir sobre o tema e sobre a realidade de sua empresa, visite no nosso site (www.hgmconsultores.com.br/conflito) e entenda um pouco a visão HGM sobre conflito coletivo nas relações no trabalho e sobre o papel das lideranças. Caso deseje, estamos à disposição para um bate-papo pelo telefone (11) 4727-3139. Feliz Natal e um 2007 repleto de soluções, porque de problemas já os temos de sobra! 


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