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Dignidade e respeito são palavras-chave quando a demissão coletiva é inevitável

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Por Heli Gonçalves Moreira Jr.

sócio-diretor da HGM Consultores

Agosto/2013

 

 

A grande mídia impressa já não é mais a mesma. Foram muitos os fatores que impactaram esse mercado nos últimos anos e que, hoje, se percebe um de seus maiores efeitos: a demissão em massa de seus profissionais. É o que se vê, por exemplo, na Editora Abril, que anunciou recentemente o corte de 150 funcionários e o fechamento de grandes títulos, como Bravo!  e Lola; a Editora foi precedida pelo jornal Folha de São Paulo e pela Rede Record, que também sofreram grandes cortes.

Situação parecida passa a TAM, que anunciou a demissão de mais de 800 comissários e pilotos, acarretando em manifestações em aeroportos lideradas por sindicatos.

 

Tardiamente ou não, todas essas empresas tomaram algumas medidas para tentar melhorar o clima interno de insegurança, tanto para os que vão quanto para os que ficam, por exemplo, dando continuidade a alguns benefícios, como plano de saúde e salário extra para quem tinha mais tempo de casa.

Para o consultor Heli Gonçalves Moreira Junior, sócio-diretor da HGM Consultores, a demissão, do ponto de vista dos empresários, é uma alternativa complexa, porém, que possui resultados a curto prazo, muitas vezes necessária. “Outras medidas, como renegociar com fornecedores, desenvolver novas tecnologias, requer tempo e disposição”, analisa  Heli Junior.

 

“Na atual legislação brasileira, a grande maioria das empresas e funcionários possui um contrato individual. Isso permite que a empresa demita na hora em que quiser, seja uma, dez ou 50 pessoas, e que o funcionário se demita também quando achar necessário. Entretanto, nos últimos tempos, a justiça trabalhista tem olhado com atenção quando empresas passam a abusar do artifício da demissão coletiva”, detalha o consultor, que completa: “Assim, determinam que as empresas negociem junto aos sindicatos laborais alternativas, como redução de jornada e salário e, quando a demissão é realmente necessária, muitas vezes se vê obrigada a conceder a extensão por alguns meses de benefícios como plano de saúde”.

Uma vez que a demissão coletiva é inevitável, qual é o melhor a se fazer? Como evitar um clima de insegurança que vai afetar diretamente o comportamento dos funcionários que ficam e, indiretamente, o rendimento e resultados da empresa? De acordo com o sócio-diretor da HGM Consultores, é nessa hora que a dignidade e o respeito viram protagonistas da história.

 

Quem fala é o superior imediato

 

Para Heli Junior, o comunicado do desligamento deve ser feito pelo superior imediato e o RH deve apenas cuidar da parte burocrática. “O líder é responsável por muitas coisas, como delegação de trabalho, promoção, férias e mais. Assim, a demissão também deve ser de sua responsabilidade. Ele deverá explicar o porquê da demissão, o momento em que passa a empresa e, oficialmente, comunicar o desligamento”, explica, mostrando a importância de um líder engajado, pois trata-se de uma tarefa de grande responsabilidade e indelegável.

 

Em uma tacada só

 

“Muitas empresas, na tentativa de maquiar uma demissão em massa, acabam fazendo diversos desligamentos, dia após dia, o que afeta muito no clima interno. O colaborador vai trabalhar com a sensação de que pode ser o próximo. Por isso, o ideal é fazer em um único dia, de uma vez, e, ao final, reunir os demais funcionários, deixando bem claro que o que houve foi uma ação pontual e que ela já acabou”, detalha Heli Junior.

 

Porta da frente

 

Demitindo Pessoas com Dignidade e RespeitoEssas ações, de acordo com o consultor, criam o sentimento no funcionário de que ele está saindo pela “porta da frente” e completa: “Para quem fica, além de um clima mais tranquilo, fica o sentimento de que, caso um dia ele venha ser demitido, será tratado da mesma forma”.

“A dignidade e respeito devem prevalecer durante toda a vida do funcionário na empresa, em especial nos momentos mais significativos da relação”, finaliza o consultor.


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